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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Good Boy: Isso não é apenas um filme de terror

 

Com toda certeza você já ouviu dizer que animais tem um sentido bastante aguçado quando o assunto é sobrenatural, mas eu diria que isso se aplica a quase tudo, a intensidade pode ser vista desde a felicidade que expressam ao nos ver chegar, até a postura firme quando precisam nos defender, no fim bichinhos de estimação (especialmente doguinhos) tem uma gama de emoções que talvez o ser humano jamais seja capaz de entender.
E assim começo a viagem ao ambiente hostil presente em Good Boy.




Ano: 2025

Duração: 1h 13min

Gênero: Suspense/ Terror

Diretor: Ben Leonberg

Elenco:  Shane JensenArielle FriedmanLarry Fessenden

Sinopse: O Bom Menino acompanha Indy, um cachorro que se muda com seu dono para uma cabana isolada. À medida que em que o isolamento se intensifica, o ambiente se torna cada vez mais opressor, e Indy passa a sentir que algo está muito errado. 


Falando sobre




Eu sou apaixonada por filmes de terror, então quando vi especulações sobre um filme onde um cachorro seria o protagonista, experimentei um misto de emoções: primeiro a empolgação, depois a surpresa por ver uma ideia pouco convencional sendo apresentada com tanta ousadia — eu diria até coragem. Afinal, o filme já começava a circular com o rótulo de “melhor filme do ano”, algo que naturalmente eleva as expectativas.

Por outro lado, me bateu aquele pensamento crítico inevitável: será que isso vai funcionar?
Como eles pensaram tudo isso? Até onde essa ideia consegue se sustentar sem virar exagero? E, principalmente… vão humanizar o cachorro?

Na minha cabeça, a pergunta já vinha acompanhada do pânico:
ele vai falar?
vai ter narração em off com voz emotiva?
Oh meu Deus, não.

Porque para mim ali estava o maior risco do filme. No momento em que Indy deixasse de agir como cachorro e passasse a “pensar como gente”, tudo desmoronaria. O terror perderia força, a proposta cairia no artificial e o impacto emocional viraria manipulação barata.

Felizmente, O Bom Menino parece consciente desse perigo. A produção entendeu que o poder da história está no comportamento natural: Indy não compreende o que está acontecendo, não racionaliza a dor, não verbaliza o medo. Ele apenas sente — e reage. E isso, paradoxalmente, torna tudo muito mais angustiante.

Esse cuidado em não humanizar demais o protagonista canino é uma das escolhas mais inteligentes do filme. Em vez de explicar o horror, ele nos obriga a vivê-lo junto com Indy, sem tradução, sem conforto e sem atalhos emocionais.


Pois bem, dito isso, vamos aos fatos.

Good Boy é um filme bem construído, isso é inegável. Apostar na simplicidade foi um dos seus maiores acertos. Não há excessos visuais, explicações desnecessárias ou tentativas de impressionar pelo choque. Tudo é contido, pensado para funcionar dentro de um espaço limitado e de uma proposta muito clara.

E é justamente aí que mora a complexidade do filme. Porque transformar essa simplicidade em algo emocionalmente tão intenso não é fácil. Estamos falando de um terror que depende quase exclusivamente de reações imediatas, de gestos, sons, silêncios e comportamentos sutis diante de eventos profundamente perturbadores. Não há diálogos que conduzam o espectador pela mão; o impacto vem da observação.

Imaginar o processo de gravação ajuda a dimensionar esse mérito. Captar emoções tão cruas sem recorrer à humanização excessiva do cachorro exige paciência, sensibilidade e um controle enorme de linguagem cinematográfica. Cada reação de Indy carrega peso porque parece genuína, instintiva, nunca encenada no sentido tradicional.

Essa escolha não apenas fortalece o terror, como também sustenta o drama. O filme entende que o medo não precisa ser barulhento para ser eficaz — às vezes, ele se manifesta no simples ato de observar algo terrível acontecer sem conseguir fazer absolutamente nada a respeito.

Mas isso não é mérito apenas de um bom roteiro ou de uma produção bem pensada. A atuação do doguinho faz, sim, toda a diferença.


Indy não está ali apenas como um recurso narrativo curioso ou um “truque emocional”. Ele sustenta o filme. Grande parte do impacto vem da forma como suas reações são captadas: o olhar atento, o corpo em alerta, a hesitação antes de se aproximar, o instinto falando mais alto que qualquer explicação racional.

E o mais interessante é que essa atuação funciona justamente porque não parece atuação no sentido clássico. Não há comandos visíveis, não há exagero, não há tentativa de transformar o cachorro em um humano disfarçado. O que vemos são respostas orgânicas a estímulos reais — medo, estranhamento, curiosidade, proteção.

Isso cria uma conexão imediata com o espectador. A gente acredita em Indy porque ele reage como um cachorro reagiria. E, paradoxalmente, isso torna o terror mais eficaz do que se tudo fosse cuidadosamente encenado. O desconforto nasce da autenticidade.

Em muitos momentos, é Indy quem conduz o ritmo das cenas. O filme observa, espera, acompanha. Confia que o simples ato de estar atento ao comportamento dele já é suficiente para construir tensão. E quase sempre é.

No fim das contas, Good Boy funciona tão bem porque entende que sua maior força não está em grandes viradas de roteiro, mas na soma de escolhas pequenas — e Indy é, sem dúvida, a mais importante delas.


Mesmo com tantos acertos, Good Boy não passou ileso pelas críticas. As avaliações baixas e a recepção morna de parte do público deixaram evidente uma insatisfação que, sinceramente, diz mais sobre quem assiste do que sobre o filme em si.

Lendo e ouvindo alguns comentários, a sensação foi clara: muita gente simplesmente não entendeu nada. E aí fica a pergunta inevitável — quais são os critérios que essa galera usa para decidir se um filme é bom ou não? Em que momento nossa capacidade interpretativa caiu tanto a ponto de confundir silêncio com tédio e sutileza com falta de conteúdo?

Não sei responder. Só sei que, desde que a internet abriu espaço para qualquer pessoa defender suas ideias sem o menor filtro crítico, a inteligência coletiva parece ter batido em retirada.

Ouvi críticas dizendo que o filme é “chato”, “pouco inovador”, “parado demais”. E confesso que fiquei genuinamente confusa. Como assim? Um terror que aposta na perspectiva de um cachorro, constrói tensão sem apelar para fórmulas gastas e transforma a doença, o isolamento e o luto em horror psicológico… pouco inovador?

No fim das contas, o que parece incomodar não é a qualidade do filme, mas o fato de ele exigir algo do espectador: atenção, sensibilidade e disposição para sentir desconforto sem recompensa imediata.

Ainda assim, foi satisfatório ver que, ao menos em algum ponto, Good Boy recebeu o reconhecimento que merece. A premiação de Indy como melhor atuação não é apenas simbólica — é a confirmação de que o filme acertou exatamente onde muitos se recusaram a olhar. Porque quando até um cachorro entrega uma performance mais honesta e impactante do que muito protagonista humano por aí, talvez o problema nunca tenha sido o filme.


No fim, pra mim, fica evidente que Good Boy entregou mais do que prometeu — e isso é um fato. O filme poderia ter se apoiado apenas no impacto da ideia inusitada, mas escolheu ir além, construindo um terror sensível, incômodo e emocionalmente honesto.

Não é um filme feito para agradar todo mundo, e talvez esse seja justamente o seu maior mérito. Good Boy exige atenção, interpretação e, principalmente, disposição para sentir. Ele não explica, não consola e não subestima o espectador. Entrega uma experiência que permanece depois que os créditos sobem.

Pode não ser unânime, pode dividir opiniões, mas dificilmente passa despercebido. E, para um gênero tão saturado de fórmulas repetidas, isso já é uma grande vitória.

Se você procura um terror que desafia, provoca e permanece — Good Boy cumpre o que promete. E, no meu caso, foi além.

Curiosidades


Perspectiva canina inovadora: o filme é quase todo filmado na altura do chão, colocando o espectador literalmente no ponto de vista de Indy e criando um terror mais sensorial e imersivo.

Indy é um protagonista real: o diretor Ben Leonberg treinou seu próprio cachorro por cerca de três anos, usando petiscos e estímulos sonoros para capturar reações naturais, sem humanizar o animal.

Sucesso no cinema independente: mesmo com orçamento baixo, o filme se destacou pela narrativa enxuta e pelo uso inteligente de um conceito simples, tornando-se um fenômeno indie.

Ansiedade do público: o impacto do trailer foi tão grande que as buscas por “o cachorro morre no final?” aumentaram drasticamente, mostrando o envolvimento emocional da audiência.

Indicação histórica: Indy entrou para a história ao se tornar o primeiro animal indicado a uma categoria tradicional de atuação no Astra Film Awards 2025.Terror pela ambiguidade: a presença sombria que ronda a casa nunca é totalmente explicada, reforçando o clima de mistério e o terror psicológico.

Curto e eficiente: com cerca de 70 minutos, o filme é elogiado por não se arrastar, mantendo a tensão do início ao fim — embora alguns considerem o começo mais lento.

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