Eu não quero depender de ninguém… mas também não quero ficar sozinha.
— Nana Osaki
Ano: 2006
Episódios: 47
Gênero: Josei/ Slice of Life
Falando sobre
Desconfiem quando uma psicóloga te indicar um anime, hehehe… ela provavelmente sabe muito bem o que você precisa assistir. E foi assim que eu finalmente encarei Nana. Já fazia tempo que ele estava na minha lista, mas depois de uma indicação empolgada de um psi no Instagram, resolvi viver a experiência.
Todo início de ano eu procuro algo que dê uma boa sacudida nas minhas estruturas, e esse anime foi um tiro certeiro. Nana traz uma narrativa envolvente e, logo nos primeiros episódios, nos leva de volta no tempo — e digo isso já com um pezinho nos 36, rs. Duas jovens cheias de sonhos, expectativas e aquela sensação deliciosa de que a vida está só começando, partindo para Tóquio em busca de um novo rumo. O famoso “agora vai”.
No começo, tudo parece promissor. Mas conforme a trama avança e a gente passa a conhecer melhor as duas Nanas, a história ganha camadas muito mais profundas. Preciso confessar que fiquei impressionada com a intensidade emocional desse anime. Os acontecimentos vão se acumulando de um jeito tão real que é impossível não sentir um certo desconforto — aquele incômodo de quem se reconhece demais.
A Nana Osaki é uma cantora incrível, intensa, dona de uma personalidade forte, daquelas que deixam rastro por onde passa. Já a Nana Komatsu, a Hachi, é delicada, sonhadora, romântica, quase uma princesinha criada à base de contos de fadas. Dizem que os opostos se atraem, né? Pois é… e aqui isso fica bem claro. Mas o que mais chama atenção é perceber que, por trás dessas diferenças, ambas carregam dores emocionais mal resolvidas. Em momentos diferentes da vida, a gente transita entre essas duas versões — e talvez seja isso que torne Nana tão difícil de assistir.
E não são só as protagonistas que brilham. Os personagens ao redor também são cheios de falhas, contradições e escolhas questionáveis. Tem aqueles que despertam empatia, outros que irritam profundamente, e alguns que fazem a gente pensar: “meu Deus, eu já conheci alguém exatamente assim”. Ninguém ali é totalmente vilão ou totalmente vítima. Cada personagem carrega seus próprios vazios, inseguranças e limites emocionais — e isso deixa tudo ainda mais humano.
A fotografia do anime acompanha muito bem esse clima. Tóquio não é retratada como um conto de fadas o tempo todo. Ela aparece viva, corrida, às vezes solitária, quase indiferente, refletindo perfeitamente o momento de vida daqueles personagens. Já a trilha sonora é um capítulo à parte. A música não está ali só como pano de fundo: ela faz parte da identidade da história. Principalmente no universo da Nana Osaki, a música funciona como expressão, fuga, força e sobrevivência.
Outro ponto que costuma dividir opiniões é o fato de Nana não ter um final fechado. Isso frustra, incomoda e deixa aquela sensação de vazio. Mas, sendo bem sincera, também faz sentido. A vida nem sempre entrega respostas, nem sempre encerra ciclos de forma organizada. Algumas histórias simplesmente continuam — e ficam ecoando dentro da gente. Nana é exatamente assim.
No fim das contas, vale muito a pena assistir Nana porque ele não tenta agradar. Ele não romantiza dores emocionais, não entrega soluções fáceis e não passa a mão na cabeça de ninguém. É um anime que provoca, incomoda, emociona e faz refletir. Não é leve, não é confortável, mas é profundamente marcante. Daqueles que a gente termina de assistir… e continua pensando por muito tempo depois.
Curiosidades
Nana, criado por Ai Yazawa, não ficou só no mangá, apesar de ser a obra original, mais profunda e emocional, e ainda inacabada. O anime (2006–2007) adaptou boa parte da história em 47 episódios, com ótima trilha sonora, mas também sem final fechado. A obra ainda ganhou dois filmes live-action (2005 e 2006) e álbuns das bandas BLAST e Trapnest, tornando a música parte essencial da experiência. Mesmo sem conclusão, Nana continua viva por tocar algo muito humano.
E você já viu Nana?
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