segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Tartarugas até lá embaixo - John Green

Um livro que expressa a agonia de quem vive o Transtorno Obsessivo-Compulsivo


Olá meu queridos leitores, muito bem vindos ao De olho no assunto!

Tartarugas até lá embaixo é um livro dono de uma função importante na minha vida, não que seja fácil escrever sobre ele, mas, sem dúvida é necessário.




Título original:
Turtles All the Way Down
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Categoria: Ficção Americana
Ano de lançamento: 2017
Páginas: 272
Sobre: Aza Holmes não está disposta a sair por ai bancando a detetive para solucionar o mistério do desaparecimento do bilionário Russell Pickett, mas há uma recompensa de cem mil dólares em jogo, e sua melhor amiga, a destemida Daisy, quer muito botar a mão nesse dinheiro. Assim, as duas vão atrás do único contato que têm em comum com o magnata: o filho dele, Davis.
Aza está tentando. Tenta ser uma boa filha, uma boa amiga e uma boa luna, mas, aos dezesseis anos, ainda não encontrou um modo de lidar com as terríveis espirais de pensamento que se afunilam cada vez mais e ameaçam aprisioná-la.

Falando sobre




Antes de começarmos a falar mais detalhadamente sobre o livro, preciso dizer aqui que diferente da grande maioria de críticos eu não amei Tartarugas até lá embaixo, não porque não seja um péssimo livro ou algo do tipo, a questão está ligada ao meu estilo literário, tendo esclarecido esta questão vamos à crítica que reforçando não estará ligada ao meu gosto pessoal e sim a qualidade do material.
                         ***
Eu sofri com Transtorno de Ansiedade Generalizada durante dois anos mais ou menos, este foi um dos motivos pelos quais me identifiquei com a história de Aza a protagonista do livro, os relatos sobre suas crises são tão reais que me perguntei como um autor poderia descrever tão profundamente as agonias vividas por ela, a verdade é que o autor sabia exatamente do que estava falando por também sofrer com essa doença.




Sabendo das minhas crises uma amiga me indicou este livro e eu imediatamente busquei lê-lo, só não imaginava que encontraria na história alguém com um histórico pior que o meu. 
Talvez seja exagero meu mas, alguém que sofre de algum distúrbio seja ele ansiedade ou TOC pode se sentir ainda mais doente ao ver os relatos da Aza Holmes.
Quando li este livro já havia finalizado meu tratamento contra a ansiedade e confesso que foi interessante ver o assunto sendo relatado em outra perspectiva que não a minha.

O livro

Aza Holmes está sendo induzida por uma amiga a bancar a detetive, (aqui faço uma pausa somente para contar que Holmes me levou a lembrar do famoso detetive Sherlock Holmes), existiria uma ligação?
Durante toda a história vemos Aza sofrendo com as angustias proporcionadas por sua doença, ela tem dificuldade em se relacionar, tem traumas, tem medos e uma compulsão terrível em mutilar um dos seus dedos.
A coisa acontece de maneira tão extrema que ela toma álcool gel, por medo de que bactérias invadam seu corpo, isso por conta de um beijo.
Aza trava batalhas mentais cansativas tentando provar pra si mesma quem está no controle, isso sem dúvida é uma realidade cotidiana para quem sofre com determinados transtornos.

No geral Tartarugas até lá embaixo é um livro incrível e sem dúvida pode traduzir com clareza pensamentos e atitudes de uma mente que se encontra em colapso.


O título



Talvez você se pergunte: Qual é a das tartarugas presentes no título?
Para responder esta pergunta preciso citar um trecho do livro: 
“- São só umas tartarugas até lá embaixo, Holmes. Você está tentando encontrar a primeira tartaruga, mas não é assim que funciona.”
Um dia, um cientista famoso estava dando uma palestra sobre astronomia. Ele explicava a origem e formação do nosso planeta e o movimento da Terra em torno do sol. Quando chegou a hora de ouvir as perguntas da plateia, uma senhora levantou-se e disse que tudo aquilo que ele havia ensinado estava errado. Na verdade, a Terra é plana e se sustenta sobre o casco de uma tartaruga gigante. O físico então perguntou: E a tartaruga está em cima do quê?

A senhora respondeu: Outra tartaruga. São tartarugas até lá embaixo.

Você pode estar se perguntando ainda: E dai?
Bom esta expressão, os espirais de pensamento e as matrioskas  são metáforas que  referem-se a complexidade do eu, entre outras palavras, cada pessoa é mutável e infinito, somos formados por camadas e mais camadas de tartarugas.
São muitas concepções, muitas formas de viver, pensar e agir, buscar um sentido nisso é enlouquecedor eu diria.

Se você gosta de uma boa ficção este livro sem dúvida é um prato cheio.

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